Estação do Funk

A concepção do projeto de arquitetura foi dos arquitetos Jozé Candido Sampaio de Lacerda e Dietmar Starke. O projeto foi desenvolvido por arquitetos do escritório JC&S Arquitetos Associados, que contou como colaboradores, arquitetos do G-URB, Armando Abreu e Paulo Roberto Martins e Souza.

Localização:

 Depois de passearmos por todos os mapas e ruas da cidade, incluindo nisso vasta pesquisa pelo Google, e considerando que a região portuária está em alto processo de revitalização, e tem o seu futuro planejado para a modernização de vida urbana da cidade, transformando-a em um grande centro cosmopolita de cultura e lazer, lazer este que passou a ser identificado como uma expressão da cidadania e das conquistas democráticas ganhou status científico e aceitação como importante função urbana.
Perspectiva
 
Optamos então por parte da antiga área do Gasômetro para implantação da Estação do Funk e, propomos uma arquitetura “geneticamente contemporânea”, e que poderá ser avistada por todos diariamente que por ali passam pelas ruas, calçadas e viadutos, por turistas nacionais e internacionais, pois está localizado na real entrada da cidade.
Como Samba, o Funk Carioca incorpora um novo Rio, criou raízes profundas, nas comunidades, nos bairros tradicionais, e sua ressonância ecoa internacionalmente, que já associa a imagem do Funk, ao lado do samba, como um novo símbolo de expressão cultural musical da cidade e do País, e porque não, a Estação do Funk tal como a Passarela do Samba.
 
A construção da Estação do Funk será o símbolo do reconhecimento e de aceitação da cidade ao movimento, assim como sua formalização, permitirá integrar-se com os padrões culturais da sociedade em geral. O Funk de hoje, é a inovação, que constrói a tradição do amanhã, assim como Samba, moverá grandes eventos, para atrair mais visitantes à cidade, tornando–a mais sustentável.
 
Conceito Arquitetônico:
 
Antes de falar do nosso conceito foi preciso buscar nas palavras do arq. Gregori Warchavchik, um dos precursores da arquitetura moderna, nossa inspiração:
“Para que a nossa arquitetura tenha seu cunho original, como o têm as nossas máquinas, o arquiteto moderno deve não somente deixar de copiar os velhos estilos, como também deixar de pensar no estilo. O caráter da nossa arquitetura, como das outras artes, não pode ser propriamente em estilo para nós, os contemporâneos, mas sim para as gerações que nos sucederão. A nossa arquitetura deve ser apenas racional, deve basear-se apenas na lógica e esta lógica devemos opô-la aos que estão procurando por força imitar na construção algum estilo”. Gregori Warchavchik
 
O nosso primeiro passo foi na intenção de preservar a estrutura que representa ainda hoje o Gasômetro, que, através da construção da Estação do Funk, enaltecer suas limpas formas metálicas, criando um ícone arquitetônico da Cultura Funk na cidade.
A conceituação fez-se necessária tendo em vista os significados e usos diferenciados desse espaço:
·          o caráter democrático da liberdade da musica e da dança associados à realização da atividade lazer.
·         o lado cultural e da sustentabilidade com as oficinas de musica, dança, arte, gravadoras, produtoras, lojas e diversas outras atividades.
·         o “Museu Vivo” contanto a história do Funk de forma interativa e real.
O projeto baseia-se na utilização da própria estrutura metálica existente com a inserção de um elemento retangular. Entretanto, a estratégia por nos adotada é a de enfatizar o contraste dos materiais preservados, que são a história, com as novas formas propostas que vão indicar a contemporaneidade da intervenção.
 
O caráter formal da edificação tem uma conotação técnica – acústica e climática de ventilação natural, assim como os elementos transparentes e os elementos vazios que conferem uma boa integração com o contexto.
 
Um volume cortando a forma circular do Gasômetro é onde se encontra o palco e promove a extensão da pista em direção à perimetral. O acesso à pista se dá por uma rampa, e a conhecida e eficaz técnica de induzir o fluxo de público a uma entrada num lugar apertado e sombrio para em seguida surpreendê-lo com um espaço monumental e bem iluminado, foi também por nós proposto, gerando uma sensação de liberdade. Uma arquibancada servirá de apoio para o público e Camarotes, na parte superior, em torno do palco estarão pendurados, em forma circular, na treliça do Gasômetro.
 
Embaixo do palco, se encontram as diversas oficinas. Os corredores deste espaço são galerias do Museu, que além de conter as informações interativas, grandes painéis de vidro destes corredores, dão diretamente para o interior das oficinas (Museu Real), e o público poderá ver os ensaios, e todas as atividades que compõe o mundo Funk.
A utilização de uma estrutura industrial obsoleta transformando o antigo Gasômetro ou parte dele num espaço artístico cultural mostrou-nos ser coerente com o pensamento arquitetônico de hoje, tornando a Estação do Funk num possível e novo empreendimento bem sucedido. (arquiteto Jozé Candido Sampaio de Lacerda)